01/04/2026 - Esposa de assassino da própria irmã sabia detalhes antes do corpo ser encontrado, diz delegado
A esposa de Marcos Pereira Soares, principal suspeito de matar a própria irmã em Cuiabá, Mariane Mara da Silva, já tinha conhecimento de detalhes do crime antes mesmo da localização do corpo da vítima, segundo informações do delegado Caio Albuquerque, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).
O caso envolve a morte da adolescente Estéfane Pereira Soares, de 17 anos, encontrada em um córrego na região do bairro Três Barras, após desaparecer no dia 10 de março.
Durante coletiva à imprensa nesta segunda-feira (30), o delegado levantou questionamentos sobre a conduta da investigada ao longo das apurações. “A pergunta é: como ela sabe do que ele havia feito? Ela estava junto ou ela participou também?”, afirmou, ao comentar o fato de Mariane ter apresentado roupas da vítima à família e relatado circunstâncias do crime antes da confirmação oficial da morte.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que Mariane não apenas tinha conhecimento prévio, como também pode ter participado da execução ou da ocultação do corpo. Um dos elementos apontados é o fato de que a jovem foi asfixiada com uma peça de roupa que pertence a Mariane. A peça foi reconhecida formalmente por ela na delegacia.
Mariane foi presa temporariamente na quinta-feira (26), em cumprimento a mandado expedido pela 14ª Vara Criminal de Cuiabá. A DHPP também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à suspeita, onde foram recolhidos aparelhos celulares que passarão por análise.
De acordo com o delegado, o comportamento da mulher chamou atenção desde o início. Ela teria procurado veículos de imprensa logo após o crime para apresentar sua versão e, posteriormente, comparecido diversas vezes à delegacia tentando obter informações sobre o andamento das investigações e o conteúdo de depoimentos de testemunhas.
“Ela apresentava uma seletividade na entrega de informações. Quando confrontada, dizia que o que havia falado antes não era 'bem verdade'”, disse Caio Albuquerque.
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As investigações também identificaram contradições nos relatos da suspeita e do marido, Marcos Pereira Soares, que já estava preso em flagrante. Durante acareação, ambos trocaram acusações, atribuindo um ao outro a autoria do crime, sem esclarecer a dinâmica.
Há ainda indícios de que Mariane acompanhou o marido no dia do crime, chegando a segui-lo por meio de corrida de aplicativo, além de registros de movimentação dela em regiões relacionadas ao sequestro e à ocultação do corpo.
A motivação do crime, conforme apurado até agora, pode estar relacionada a conflitos familiares. Segundo a polícia, a relação entre a vítima e a cunhada era conturbada, com histórico de desentendimentos e ciúmes.
GIOVANA GIRALDELLI
DA REDAÇÃO
EUZIANY TEODORO
GIOVANA GIRALDELLI
DA REDAÇÃO

