A insatisfação das trabalhadoras já foi manifestada por algumas vezes nas redes sociais e gerado bastante repercussão. Vila Rica conta hoje com 15 profissionais garis que cumprem uma escala diária de 8 horas. No período matutino das 06h00min às 10h00min e no período vespertino das 15h00min às 19h00min.

Segundo informações, até o final de 2016 elas cumpriam uma escala de 6 horas diretas, das 17h00min às 23h00min, horário que segundo todas elas é melhor devido ao sol estar mais fraco e o trânsito de veículos estar menos movimentado.

“Esse prefeito, esse secretário que entrou aí tá judiando de nós demais, botou nós no horário que nós não é acostumada a trabalhar, nós queremos nosso horário de noite que é mais fresco, menos movimento e é melhor pra nós, porque tem muita mulher aqui que é hipertensa e toma remédio controlado, aí pra nós de noite é melhor”, disse uma das trabalhadoras a reportagem da Eldorado FM.

Todas as 15 servidoras que trabalham como garis são efetivadas na Prefeitura de Vila Rica com salário médio de R$ 937. A atual administração oferece às profissionais, calçados, máscaras, luvas e café da manhã. O uniforme que é essencial para a identificação das garis nas ruas não está sendo oferecido pela Prefeitura.

“Eu sou hipertensa, eu passei mal na rua e fui internada por causa de pressão alta devido esse horário que o sol é muito quente, nós precisamos de uniforme para nos identificar porque muitas vezes nós corre o risco até de ser atropelada aqui na rua, o povo pensa que nós estamos brincando na rua e não, nós tamo trabalhando e muita gente não respeita nós devido a falta de sinalização”, ressaltou outra trabalhadora.

As garis reclamam também da postura impositiva do Secretário de Obras Gilnei Momo que, segundo elas, se mostra irredutível sobre a mudança do horário de trabalho.

“Sou gari a 8 anos, nós nunca tínhamos trabalhado numa escravidão igual a essa, porque isso é trabalho escravo, nós trabalhar 4 horas de manhã, 4 horas a tarde, nós não pode sentar, não pode ir pra sombra porque se pegar ele taca advertência. Não tem dialogo com ele, esse negócio de tá de pé direto não poder sentar tá acabando com minhas pernas, arrebentando tudo, uma infecção de urina porque não pode estar indo no banheiro, se for no banheiro e demorar lá ele já reclama, ele tá virando é ditador”, destacou uma trabalhadora revoltada com a situação.

Todas as trabalhadoras reclamam não terem lugar adequado para fazerem suas necessidades fisiológicas, dependem dos estabelecimentos cederem os banheiros ou aguardam até retornarem para a Secretaria de Obras.

As reclamações são muitas, no período da tarde elas relatam que fazem uma parada para o lanche por conta própria, sem realizarem a higienização das mãos, e em qualquer lugar, por temerem serem advertidas pelo secretário que não concorda em ver as trabalhadoras paradas.

“Eu trabalhando ganhei advertência dele porque ele falou que a rua tava mal varrida, aí ele mandou nós varrer, aí nós dividimos a turma, duas descia e duas subia, aí ele falou que não acatou com as ordens dele aí ele deu advertência pra mim, nós fomos três que levou a advertência, nós tava trabalhando, aí ele falou que nós tava brincando de fazer montinho”, disse uma gari.

As trabalhadoras disseram terem levado a situação ao conhecimento de vários vereadores do município, porém nada aconteceu até o momento.

OUTRO LADO

A reportagem da Eldorado FM ouviu o Secretário de Obras Gilnei Momo, por telefone, que relatou que as medidas tomadas pela atual administração estão dentro do previsto no concurso das garis.

“O horário que elas estavam trabalhando era ilegal, a lei prevê que elas trabalhem 8 horas com intervalo para almoço. A pedido delas e do sindicato, nós vamos mudar o horário no período da tarde que hoje é das 15h00min às 19h00min para 16h00min às 20h00min. Nós fornecemos equipamentos, luvas, mascaras e botinas para elas mas muitas não usam, trabalham de chinela. Quanto ao uniforme já demos início a licitação para a compra de uniformes”, disse o Secretário.

Em relação a intervalo para descanso Gilnei informou que todas tem direito a 15 minutos de descanso em cada período, mas que elas não respeitam e ficam sentadas por mais tempo e mexendo no celular. “Se fôssemos seguir a risca o que diz o regimento, elas seriam notificadas todo dia”, destacou.

Gilnei concluiu dizendo que a administração está tentando fazer com que as garis trabalhem corretamente, procurando viabilizar as condições necessárias para que isso aconteça.

 
 
 
 

Eldorado.Fm

Redação