03/02/2017 - Dívida de quase 12 milhões emperra gestão de Janailza

03/02/2017 - Dívida de quase 12 milhões emperra gestão de Janailza

A prefeita Janailza Taveira, de São Félix do Araguaia, diz que está abismada com a desorganização que herdou do seu antecessor

O município de São Félix do Araguaia terá um baú repleto de dificuldades financeiras e administrativas neste início de ano. Segundo a prefeita Janailza Taveira Leite (SD) isto acontece porque até já foram constatadas mais de R$ 11.7 milhões em dívidas de várias categorias que vão dos chamados ‘restos a pagar’, pensões, empréstimos, energia, INSS entre outros impostos.

 

Janailza disse à reportagem que esses valores podem subir um pouco mais, uma vez que há vários serviços que foram feitos sem empenho e a prefeitura, neste caso, tem que assumir as despesas e lógico, pagar. “Nunca vi tanta coisa errada de uma só vez. Colocamos um grupo de servidores para levantar as dívidas do município, mas sem êxito por falta de dados no sistema APLIC do Tribunal de Contas do Estado (TCE), desde de junho sem informações”, disse.

 

A prefeita disse ainda que a população de São Félix precisa saber da situação, “do caos econômico do município” que de acordo com seus dados só de restos a pagar o volume chega a R$ 5.646.632,74, compreendendo as gestões de Filemon Limoeiro Antônio de Almeida Baú. Impostos que foram descontados do salário do servidor e que não foram repassados ao INSS chega à ordem e R$ 1.382.419,70. Há, conforme disse, vários parcelamentos em atraso que soam mais R$ 3 milhões. (Veja planilha no fim do texto).

 

Em função desses débitos o município não consegue certidões por inadimplência, além de ser penalizado com multas, o que impossibilita o aporte de recursos estaduais e federais. Contudo, Janailza acredita que até o início de março isso já esteja resolvido. “Não é fácil começar uma gestão da maneira que encontramos. Meu desafio aqui será fazer diferente, dar resultados positivos à sociedade”, disse.

 

Conforme Janailza, seguindo na perspectiva do caos econômico, outros problemas como os dos maquinários estão em estado crítico com ônibus escolares e ambulâncias com pneus na lona. Só para se ter uma ideia temos nove ônibus escolares que foram transformados em seis em razão de subtrair peças de uns para salvar a vida útil de outros, “uma aberração””, exclama.

 

Assim que se colocar todo o maquinário para rodar “iremos trabalhar de forma preventiva na manutenção e na operação desses equipamentos que não são baratos. Por isso já mandei colocar em algumas máquinas uma proteção de ferro para evitar problemas. O mau uso de nossas máquinas resultou na necessidade de manutenção”, diz.

 

Hoje a maior demanda de São Félix é saúde pública. “É a situação mais complicada”, avalia a prefeita. No que seria o estoque de medicamentos não havia remédio sequer para pressão arterial que é algo básico em saúde pública. Como os recursos não são suficientes, recorremos a parcerias para amenizar a demanda. “A nossa salvação foi uma parceira com o Hospital Regional (CISA) que nos emprestou material, inclusive para curativos que as UBS já pereciam vitimadas por má gestão ou de puro descaso, enquanto empresas privadas também estão somando forças com nossa gestão e doaram materiais de saúde, a começar por esparadrapos e gases”.

 

Outra preocupação é com a remoção de pessoas doentes para outros hospitais. No distrito de Espigão do Leste a ambulância utilizada para este fim encontra-se em estado lastimável. “Espigão do Leste tem uns três mil habitantes e não ter um veículo pronto para atender uma situação de emergência a pessoa vai morrer e será responsabilidade do município”, questiona Janailza.

 

“Logo após o período eleitoral, conseguimos junto ao então deputado Zé do Pátio (SD) uma emenda de 150 mil reais para aquisição de uma ambulância para aquele distrito, mas como o município está inadimplente, o recurso foi perdido. Vamos tentar novamente enquanto vamos tocando com a ambulância velha mesmo”, disse.

 

“Após solucionar esses problemas de caráter emergencial vamos mudar o aspecto da cidade, criar um programa para construir calçadas em todas as ruas que tenham asfalto e dessa forma manter a cidade mais limpa. Melhorar o sistema de abastecimento de água que hoje funciona com quarenta por cento de sua capacidade. Hoje apenas trinta por cento da cidade possui o hidrômetro isso é desigual. Precisamos aumentar a capacidade de atendimento, mas para isso vamos instalar o hidrômetro em todas as casas e cobrar uso de cada uma delas. Com isso iremos melhor nosso sistema de distribuição de água. É uma medida impopular, mas necessária”, avalia.

 

“Mesmo com todas essas demandas que precisam de trato e habilidade, nós conseguimos pagar a folha dia 27 de janeiro, um fato inédito em municípios de Mato Grosso. Meu compromisso será com todos, começando pelo servidor público, já que toda a máquina administrativa depende dele”, concluiu Janailza.

 

 

 

 

Da Redação

 



 

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