07/03/2016 - Dilma defende Lula num encontro com governadores e sofre uma contestação de Taques Leia mais: https://www.jreporterdoaraguaia.com/products/a07-03-20165/
Dilma Rousseff foi submetida a uma saia justa ao dizer, num encontro com governadores, que ficara “indignada” com o tratamento “desrespeitoso” dispensado a Lula por Sérgio Moro, juiz da Lava Jato. Um dos visitantes, Pedro Taques (PSDB), governador de Mato Grosso, retrucou a anfitriã: “Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei.”
Os governadores voaram até Brasília para discutir, na noite da última sexta-feira, o alongamento das dívidas dos seus Estados com a União. Horas antes, agentes da Polícia Federal haviam executado uma ordem de “condução coercitiva” de Lula, para prestar depoimento sobre a suspeita de receber vantagens de empresas pilhadas roubando a Petrobras.
Dilma enxergou na coerção ordenada por Moro um “abuso de autoridade”, pois “bastava convidar” Lula, que “não se negaria a prestar os esclarecimentos”. Ao contraditá-la, Taques chamou Dilma de “presidente”, não de presidenta, como ela prefere. Brindou-a, de resto, com um cerimonioso “vossa excelência”. Ex-procurador da República, ele sapecou:

Além das referências a Lula, Dilma tomou o tempo dos governadores para defender a si mesma das acusações feitas por seu ex-líder no Senado, Delcídio Amaral, hoje um delator premiado da Lava Jato. Delcídio disse, entre outras coisas, que Dilma sabia que a refinaria de Pasadena, no Texas, fora adquirida com sobrepreço pela Petrobras, para que a diferença fosse usada no pagamento de propinas.
Dilma presidia o Conselho Administrativo da Petrobras na época em que o negócio foi fechado. Contra o ataque de Delcídio, ela exibiu aos governadores decisão do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Em despacho de julho de 2014, o chefe do Ministério Público Federal arquivara representação em que um grupo de senadores pedia a abertura de inquérito para responsabilizar Dilma pelo prejuízo imposto à Petrobras –coisa de US$ 800 milhões.
Por mal dos pecados, Pedro Taques assinou a representação protocolada na Procuradoria contra Dilma. Na época, ele era senador pelo governista PDT. Viu-se compelido a mencionar o fato na reunião da última sexta: “Presidente, quero dizer a Vossa Excelência que eu, pessoalmente, redigi essa peça. Representei contra a senhora na Procuradoria. Meu nome está aí. Não posso esquecer o que assinei e redigi. Eu e colegas como Cristovam Buarque, Pedro Simon, Randolfe Rodrigues… Li a decisão do procurador-geral. Respeito a sua história. Mas não renego o que escrevi.”
“Você viu a minha resposta ao procurador?”, indagou Dilma, determinando a um auxiliar que entregasse cópia a Taques. O governador respondeu que já conhecia a peça. Não quis polemizar com a presidente. Autorizado, deixou a reunião antes do término.
Nenhum dos outros governadores ecoou as observações do colega matogrossense. Ao contrário. Vários endossaram o desagravo a Lula e solidarizaram-se com Dilma. Entre eles o alagoano Renan Filho (PMDB), o piauiense Wellington Dias (PT) e o cearense Camilo Santana (PT).
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que também era senador e assinou a representação contra Dilma, preferiu silenciar. Vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti (Pros) representou o governador tucano Beto Richa. Disse na reunião de sexta-feira que os ataques a Dilma atingem a mulher brasileira.
Neste sábado, Dilma visitou Lula na cobertura dele em São Bernardo. Reiterou a tese de que seu padrinho político sofreu uma “violência injustificável''. Em nota, o juiz Sérgio Moro defendeu a ação envolvendo Lula. O Ministério Público tachou de “cortina de fumaça'' o debate sobre o método empregado para ouvir Lula. em torno do ex-presidente.
Josias de Souza / Blogosfera

