12/06/2017 - Violência no parto é realidade silenciosa em MT
Violência obstétrica ainda é uma realidade silenciosa em Mato Grosso, que o caso envolvendo o médico Jarbes Balieiro Damasceno, de Cáceres ( 225 km a Oeste), traz à tona.
A informação é da coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública de Mato Grosso, Rosana Barros. A defensora explica que esta é uma preocupação que surgiu quando as mulheres começaram a observar as demais agressões que sofrem, em um contexto machista, e vem ganhando expressão há cerca de apenas 5 anos.
"É mais uma violência de gênero detectada, que causa sofrimento somente por ser mulher", realça.

Ela critica o procedimento obstétrico usado em pelo menos duas das parturientes que acusam o médico Jarbes, que é a Manobra de Kristeller.
Esta manobra consiste na aplicação de pressão no fundo do útero com o objetivo de facilitar a saída do bebê.
Pesquisa "Nascer no Breasil", da Fiocruz, aponta que 36% das brasileiras que fazem parto normal passam por isso, mas não né recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Subiram em cima da minha barriga para o bebê sair à força", narra a dona de casa Rosa Maria Martins Pires, 27, de Cáceres. A filha dela, Vitória, morreu 7 dias após o parto.
Já uma estudante também de Cáceres, de 25 anos, conta que passou por rodízio de toques. "Esse senhor fez o toque nas pacientes e inclusive em mim como se fôssemos animais, ele me machucou mesmo", lamenta.
A defensora ressalta que em algumas circunstâncias de violência obstétrica é configurado o crime e em outras, o direito à indenização por danos morais.
"É falta de respeito à mulher neste momento que é tão importante para a vida dela", condena.
"Para algumas, o parto normal, por exemplo, é mais fácil, e para outras não. Há que se respeitar o organismo de cada qual, e como cada uma lida com as dores da contração", diz a defensora.
"É importante falar em que momento acontece a violência obstétrica. Que pode acontecer durante a gestação, no momento do parto, assim entendido o trabalho do parto em si é o pós parto", pontua.
"Tudo isso é mais frequente do que se imagina, pois muitas não entendem sobre procedimentos médicos", ressalta Rosana Barros. "Justamente no momento que para algumas é esperado por toda a vida. Para algumas é um sonho realizar a maternidade, e passar por situações dessa maneira é desagradável e traumático".
São variadas as formas de agressão à parturientes: verbais, recusa de atendimento, privação de acompanhante, lavagem intestinal, raspagem de pelos, jejum, episiotomia, separação do bebê da mãe, manobras desnecessárias.
As agressões mais comuns
1 - Manobra de Kristeller
2 - Impedir a mulher que fique em posição vertical (90% das brasileiras dão à luz deitadas)
3 - Impedir que faça barulho em momento de intensa dor.
4 - Toques para conferência de dilatação sem o menor cuidado.
5 - Xingamentos: você é chata, mole, arrogante, mimada, agressiva, não pensou nisso na hora do bom, entre outros termos de baixo calão.
6 - Enquanto sente dor, a equipe médica mostra-se alheia, falando de futebol, compras de produtos, como carro, da moda, da novela, menos do momento em questão.
7 - Episotomia, que é corte cirúrgico feito no períneo, região entre a vagina e o ânus, formada por músculos, por onde sai o bebê. Estudos mostram que corte têm sido bem maior do que o que seria feito pela cabeça do bebê, então não é recomendável pela OMS.
Veja relatos de parturientes
www.youtube.com/watch?v=Q9G5uyRKsyk
Keka Werneck, repórter do GD

