13/08/2018 - Candidatos ao governo ainda são desconhecidos para os eleitores

13/08/2018 - Candidatos ao governo ainda são desconhecidos para os eleitores

Dias após as convenções que anunciaram os nomes dos candidatos ao cargo de governador nas eleições deste ano, o jornal A Gazeta foi às ruas pela primeira vez. O objetivo era saber em quem e porque os eleitores vão votar. Nas duas horas que a reportagem passou no centro de Cuiabá, poucos quiseram se manifestar. A maioria declarando ainda não saber quem está na disputa. Entre os que toparam dar entrevista, apenas dois candidatos foram citados: Mauro Mendes (DEM) e Pedro Taques (PSDB).

Otmar de Oliveira

Eugênia de Castilho, 74 anos

Para o analista político Onofre Ribeiro, esse aparente desinteresse da população sobre política ocorre devido à dissolução dos partidos “orgânicos”, ou seja, o partido com militância ativa. “Depois de 1997, que foi permitida a reeleição, os partidos começaram a morrer. Hoje existem líderes partidários que são muito mais donos do que líderes. A base da sociedade não se conecta mais com a política, porque perdeu o canal, que eram os partidos”, afirma.

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Dona Eugênia de Castilho, 74 anos, poeta e comerciante é parte da pequena parcela de eleitores que já tem voto definido. Vai votar em Mauro Mendes, alegando ter se decepcionado com o atual governo. “O Pedro Taques só falou do governo passado. Foi um dos piores, porque eu nem lembro o que ele prometeu. Votei nele, fui contra muitas pessoas e não deu em nada. Tenho até vergonha”, disse a senhora, ressaltando fazer questão de votar para exercer seu direito de escolher quem irá representá-la na política.

Otmar de Oliveira

Valdenor Jesus de Campos, 52 anos

Valdenor Jesus de Campos, em contraponto, acredita que Pedro Taques trouxe um novo modelo de gestão e combate à corrupção. “Vou votar nele porque estamos vivendo a era da justiça. Mato Grosso precisava de pessoas como ele. Pelo desmando político, ele vem com uma nova maneira de estruturar o Estado, acabar com a corrupção. Diante da dificuldade de governar, ele conseguiu desenvolver algumas coisas. Tem ações dele que foram boas, obras pelo interior e ele deve continuar”, defendeu o radialista de 52 anos.

Artesã que comercializa sua produção em uma barraca na Praça da República, Margareth de Assis, 43 anos, também pensa em votar no tucano que, na avaliação dela, fez um bom trabalho na área da agricultura familiar. “Votarei no Pedro Taques. Acho que ele fez um médio governo, mas foi muito bom para agricultura familiar e isso ajudou a fomentar a economia. Não que os outros candidatos sejam ruins, mas é difícil escolher, principalmente, porque todos têm algum tipo de envolvimento com esquemas. Isso coloca em dúvida as ações deles”, pondera.

Gleice Souza, 32 anos, avalia que Mauro Mendes fez uma boa gestão enquanto prefeito de Cuiabá e, por isso, estaria capacitado para conduzir o Estado. “Gostei do que ele fez e sei que pode fazer mais por Mato Grosso, do que foi feito nos últimos anos. Assisti debates que ele participou e gosto como ele conduz o que pensa. Entre os nomes que registraram candidatura, ele é o melhor”, disse a auxiliar comercial.

Otmar de Oliveira

Margareth de Assis, 43 anos

Já José Benedito Pacheco de Campos não avalia bem a gestão Mauro Mendes. “Estou indeciso, mas quem está no poder tem mais chances de dar continuidade à gestão, por isso, acho que devo votar no Pedro Taques. Não gosto muito da administração do Mauro. Achei ele muito arrogante”, explicou o aposentado de 72 anos.

Músico, Benedito Lacerda Cintra Filho, por sua vez, afirma que não vai votar em nenhum dos nomes já apresentados. De acordo com ele, todos estão envolvidos em esquemas e não cumprem o que prometem durante a eleição. “A conversa deles é sempre a mesma e nós já conhecemos. O que eles prometerem, eu garanto que não vão fazer, porque isso já aconteceu outras vezes. Além disso, se for avaliar a coligação dos partidos, você vai ver que tá todo mundo na sujeira. Pode até existir político bom, mas é difícil ele estar no poder para defender o povo”.

Onofre Ribeiro afirma que, atualmente, as pessoas votam pela emoção, sem avaliar ou conhecer, de fato, os planos de governo dos candidatos. “Votam porque é obrigatório e não se concentram na importância do ato de votar. Há uma absoluta desconecção entre o eleitor e os políticos”, sustenta. “Não é de se estranhar que não conheçam os candidatos. Dizer que vão esperar as propostas, não é sério. No fim, acabam votando por emoção ou por dinheiro. Como nesta eleição haverá muita dificuldade de comprar votos, vai ser na emoção”, completa.

Reprodução

A Justiça Eleitoral disponibiliza ferramentas para que o eleitor conheça todos os candidatos. No site DivulgaCandContas, por exemplo, é possível encontrar informações sobre os postulantes a todos os cargos disponíveis neste pleito.

As informações são disponibilizadas antes mesmo do período de campanha no rádio e televisão, na medida em que os partidos vão fornecendo os dados necessários para os registros dessas candidaturas. Além de nome, estado civil e outras informações pessoais, o eleitor também tem acesso às prestações de contas dos candidatos e fica sabendo e se o pedido de registro foi ou não acatado pela Justiça.

 

 

Janaiara Soares, repórter de A Gazeta

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