19/04/2017 - Vazam planilhas com 'ordens de propina' a Blairo e gestores - Veja cópias e vídeo

19/04/2017 - Vazam planilhas com 'ordens de propina' a Blairo e gestores - Veja cópias e vídeo

Cinco cópias de e-mails e planilhas onde constam detalhes de supostos pagamentos de propina feitos pela empreiteira Odebrecht a políticos de Mato Grosso foram divulgados pelas redes sociais para comprovar a versão de ex-executivos e delatores da Operação Lava Jato de que houve repasse de dinheiro ilegal para Mato Grosso na gestão do então governador Blairo Maggi (PP), hoje ministro da Agricultura. Em entrevista nesta terça-feira (18), Maggi admitiu que pagou dívidas do Estado com a Odebrecht, mas negou a prática de caixa 2 para usar em sua campanha eleitoral de 2006.

 

Nos documentos aparecem os nomes de Blairo do ex-secretário estadual de Fazenda, Edmilson José dos Santos e dos procuradores João Virgílio Nascimento Sobrinho e Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima. Trata-se de e-mails trocados pelo então diretor de contratos da Odebrecht, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, que hoje é delator na Operação Lava Jato, com outros funcionários da empreiteira.

A exemplo dos demais políticos e gestores beneficiados no esquema e que eram identificados pelos delatores por meio de apelidos, Blairo Maggi e os ex-integrantes de seu staff quando era governador de Mato Grosso, também são mencionados por seus apelidos. Blairo é chamado de “Caldo”, Chico Lima é o “Manhoso”, João Virgílio é tratado como “Careca” e por fim Edmilson José dos Santos é identificado como “Cofrinho”.

Nos documentos constam ainda o codinome “Palha”, apelido José Miguel Milé, agente público do estado de Mato Grosso do Sul, José Miguel Milé, que ficou com R$ 83.5 mil em 2006. Existe também um vídeo, já divulgado pelo Gazeta Digital, de um trecho da delação do ex-diretor da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira, em que confirma pagamento de propinas na ordem de R$ 900 mil entre 2006 e 2007 aos procuradores e ex-secretário de FazendaAssista.

www.youtube.com/watch?v=-pIF8uTenjs

Nos trechos dos e-mails divulgados, consta uma planilha com valores de uma dívida de R$ 33 milhões que o governo de Mato Grosso tinha com a Odebrecht e os valores recebidos a título de propina por cada um dos agentes públicos mato-grossenses. Consta que para Blairo Maggi foram destinados R$ 12 milhões (36,36% da dívida total) enquanto aos procuradores Chico Lima, João Virgílio e Edmilson Santos foram destinados R$ 330 mil para cada um deles, totalizando R$ 990 mil (3% da dívida).

Um dos e-mails foi enviado em 20 de julho de 2006 por Pedro Augusto Carneiro Leão Neto para Ubiraci Santos enquanto o outro é datado de 9 de janeiro de 2007 mostrando outro diálogo entre as mesmas pessoas. O assunto são “recebíveis MT”, referência a valores que a empreiteira tinha a receber do Estado por obras realizadas. O teor dos das mensagens mostra ordens de pagamentos aos agentes públicos de Mato Grosso e os valores liberados pela Odebrecht, além de datas em que os valores foram repassados.

Outro e-mail, trocado entre Pedro Leão e uma funcionária chamada Vera Lúcia, o assunto é uma retificação em pagamentos feitos a Blairo Maggi. “Conforme conversa por telefone, já passei para o Dr. Ubiraci, a ORDEM de Caldo no valor de R$ 610.000,00 para que ele possa fazer devida retificação de R$ 610.000,00 PARA R$ 600.100,00, pois este saldo de R$ 10.000,00 será solicitado ou acrescido no próximo pedido”, consta na mensagem.

Hoje senador licenciado para exercer o cargo de ministro da Agricultura, o ex-governador Blairo Maggi foi citado nas delações de João Antônio Pacífico Ferreira (ex-diretor superintendente para as áreas Norte, Nordeste Centro Oeste da Odebrecht) e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto (ex-diretor de Contratos da Odebrecht São Paulo).

Os ex-executivos afirmaram nos acordos firmados com o Ministério Público Federal (MPF) e homologados pela Justiça Federal que a empreiteira liberou R$ 12 milhões em propina para Mato Grosso, valor solicitado por Eder Dias Moraes em troca da liberação de créditos que a construtora tinha com a administração estadual. Segundo os delatores, os valores seriam destinados à campanha eleitoral de 2006 quando Blairo Maggi foi reeleito governador do Estado. Eder de Moraes era considerado um dos “homens fortes” durante o segundo governo de Blairo Maggi.

Consta no pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de abertura de inquérito contra Maggi já autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin que a Odebrecht tinha créditos a receber por conta da obra da MT-010, entre Diamantino e São José do Rio Claro. Ele designou Leão para buscar, junto ao governo, o recebimento destes recursos, reconhecidos administrativamente pelo governo de Mato Grosso.

Welington Sabino, repórter do GD

 



 

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