25/05/2017 - "Não há sequer comprovação de que escutas ilegais ocorreram"
O secretário de Estado de Comunicação, Kleber Lima, colocou em xeque a veracidade da existência de um esquema de grampos clandestinos supostamente operado pela Polícia de Mato Grosso (PM-MT).
O alegado esquema seria feito como forma de monitorar adversários políticos do Governo, jornalistas, advogados e empresários e, em tese, teria a conivência do governador Pedro Taques (PSDB).
Na tarde da última terça-feira (23), a Justiça mandou prender o coronel PM Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da PM de Mato Grosso, e o cabo Gerson Ferreira Gouveia Júnior
“O Governo tem consciência que há uma denúncia. Até agora não há comprovação de que de fato essas escutas aconteceram. Cadê os áudios? Existe uma denúncia que é grave, que precisa ser apurada, mas não existe sequer comprovação de que nenhuma pessoa foi ouvida ilegalmente em Mato Grosso”, disse o secretário.
“Tudo será provado ou esclarecido com a investigação. A denúncia que temos conhecimento é que haveria uma central clandestina de escutas dentro do quartel general da PM. Se a denuncia fala de um esquema de interceptação totalmente clandestino, isso não necessariamente imputa responsabilidade a PM e muito menos ao Estado. Aguardemos a apuração com ansiedade. O governo tem todo o interesse que tudo seja esclarecido”, afirmou.
As declarações foram dadas em entrevista concedida à Rádio Capital, na manhã de terça-feira (23).
Na ocasião, o secretário disse que as informações relacionadas ao caso e que circulam na imprensa estão sendo “vazadas” de forma “seletiva”.
Ele criticou especialmente, a publicação de uma nota de compra no valor de R$ 24 mil, feita pelo chefe da Casa Militar de Mato Grosso, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco e que lista dois equipamentos que poderiam ser usados nas interceptações. A nota foi emitida em maio de 2015.
“Sorrateiramente, quem fez a denúncia ou alguém que tem a denúncia está fazendo vazamentos seletivos para justificar uma tese que não se sustentará na prática. Sobre a compra em nome do Lesco, ele falará primeiro no inquérito policial militar. Agora, tudo isso com a tranquilidade de que a nota não indica crime algum”, disse o secretário.
Segundo Kleber, os equipamentos comprados pelo chefe da Casa Militar não são de uso restrito.
“Os equipamentos listados na lista você compra em qualquer loja de informática, legalmente. Um equipamento é um servidor tipo Rack, um ‘super computador’, que serve pra fazer rede, armazenar imagens, pra jogar. O que determina a aplicação de qualquer equipamento, se é pra inteligência ou não são os softwares que são instalados nele”, disse.
“Tratam-se de hardwares que não são ilegais. A nota faz parte de um projeto de inteligência construído para a PM, inclusive, no computador do Gaeco. Querem atribuir tudo isso ao Lesco, quando não é verdade”, afirmou.
Ainda durante a entrevista, o secretário reiterou que o então secretário de Segurança, Mauro Zaque, não oficializou a denúncia do suposto esquema ao governador e garantiu que os documentos de protocolo apresentados por ele são “fraudados”.
“A segunda denúncia a que o promotor Mauro Zaque se refere nunca chegou ao gabinete do governador e quem afirma isso é o governador do Estado. Entendo que, se um promotor tem fé pública e o que ele fala tem que ser levado em conta, penso que, igualmente, ou até mais, o chefe maior do Estado, a maior autoridade política do Estado, que é o governador, também o que ele fala merece fé pública”, disse.
“Essa segunda denúncia não existe nos arquivos do Governo, seja Casa Civil, seja na secretaria de Governo, seja no gabinete do governador, seja Sesp, seja no protocolo geral. Não há nenhuma comprovação de que essa segunda denúncia foi encaminhada ao Governo. O governador já falou que aquele protocolo é falso, é fraudado. Protocolo está fraudado”, repetiu Lima.
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

